Estudo aumenta salário em 13% PDF Print E-mail

Estudo aumenta salário em 13%
Curso profissionalizante aumenta chance de emprego em 48% em comparação com
quem completou o ensino médio regular


A chance de quem fez o ensino profissionalizante conseguir um emprego é 48% maior do que a de quem cursou apenas o ensino médio, de acordo com uma pesquisa divulgada pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV) e pelo Instituto Votorantim.
“O que a gente mostra é que os retornos da educação profissional são ainda mais altos. Mesmo quando se considera o avanço que as pessoas têm com mais escolaridade formal, a educação profissional ainda dá um plus, ou seja, é um prêmio que a educação gera em termos de salário, ocupação e formalidade’’, diz o economista Marcelo Neri, coordenador da pesquisa “Educação Profissional e Você no Mercado de Trabalho’’.


O trabalho também constatou que os salários daqueles que têm um curso profissionalizante são até 12,94% mais altos. O setor que mais emprega pessoas com curso profissionalizante é o automobilístico (45,71% ), seguido pelo de finanças (38,17%) e de petróleo e gás (37,34%).
O técnico em mecatrônica Mauro Souza Gonçalves, de 31 anos, é um bom retrato do resultado da pesquisa. Em 2005, mais de cinco anos depois de ter terminado o ensino médio, ele decidiu voltar a estudar. “Eu sabia que precisava de mais qualificação para ter um emprego melhor. Mas eu já
trabalhava para me sustentar e não tinha tempo para os estudos. Acabei tendo de fazer uma escolha arriscada”, conta ele. Gonçalves pediu demissão e, com o acerto, conseguiu se sustentar por cerca de oito meses enquanto se dedicava apenas ao curso profissionalizante em mecatrônica da TECPUC – a escola técnica da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. “No fim do primeiro ano, consegui um estágio. Quando terminei o curso fui contratado e fiquei lá por três anos”. Ele recebeu uma nova proposta de emprego há um mês e está mudando de emprego. “Valeu a pena o sacrifício para pagar o curso”, afirma.
Percebendo a forte demanda por esse tipo de curso, a Associação Paranaense de Cultura (APC), mantenedora da PUC-PR, investiu US$ 15 milhões na construção de um novo prédio para a escola profissionalizante. Localizado dentro do câmpus Curitiba da PUC-PR, a nova sede tem capacidade para atender 5.600 alunos e foi inaugurada há duas semanas. São oferecidos mais de 20 cursos. “O ensino técnico tem uma grande vantagem que é a aplicabilidade do conteúdo. Nos nossos cursos, o professor não pode dar um conteúdo teórico sem dar a prática de como aquilo é usado. Então os alunos saem realmente com prática em sua área. A empregabilidade é de 90%”, afirma Romeu Guimarães Machado Neto, diretor de negócios suplementares da APC.
Números De acordo com a pesquisa da FGV, 29 milhões de pessoas frequentam hoje cursos de educação profissional, o que representa 19,72% da população com mais de 10 anos de idade do Brasil. Desse total, 16,07% (23,5 milhões de pessoas) frequentaram cursos de qualificação profissional,
3,54% (5,1 milhões de pessoas) fizeram ensino médio técnico e 0,11% (160 mil pessoas) tiveram formação tecnológica. O estudo foi feito com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e da Pesquisa Mensal de Emprego (PME).

Fonte: Gazeta do Povo